sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Educação a distância: existem distâncias?


Num mundo em que a tecnologia se torna usual como parte do dia-a-dia de cada pessoa, os espaços-tempos e interações sociais podem ser totalmente ressignificados. É a partir desse contexto que emerge a Educação a distancia.

Neste aspecto, é necessário ressaltar que existem controvérsias quanto ao uso do termo. Em termos de definição, distãncia é espaço entre dois pontos. Podendo ser medida em quilômetros, metros, centímetros e outras unidades.

Sendo assim, a noção de distancia esta aliada a uma concepção de espaços físicos. Ou ainda de uma noção cartesiana de pontos que convergem a um local específico. A partir da criação de espaços virtuais as noções de espaço-tempo simplesmente devem ser ressignificadas. Sendo assim, o local é universal e virtual; não está aqui ou ali, mas em qualquer ponto. Este é um momento de quebra de paradigmas, no qual, até mesmo conceitos sócio-históricamente internalizados por todos, ganham a necessidade de ressignificação e contextualização.

Nesse aspecto, a expressão EaD perde o seu sentido. Não existe Ead, pois não existe a distância, o que existe na verdade são processos educacionais que podem ocorrer em qualquer local, modalidade ou espaços-tempos. Sendo assim, o que chamamos de Ead, na verdade é uma educação mediada por tecnologias, que podem serem usadas(ou não) a favor da assessibilidade e inclusão.

ESCOLA REFLEXIVA: CONCEPÇÃO E REFLEXÃO


A escola em suas diversas modalidades seja especial, seja regular, seja a partir de programas de educação à distância, seja não formal, seja por meios de programas sociais, constitui-se num espaço de (e para) reflexão, e dentro disso, se institui também, numa estância de diversidade e adversidades. Na realidade da escola a multiplicidade salta diante dos olhos, bem como também, os revezes, intempéries e do inesperado.

Esse espaço múltiplo denominado escola é um ambiente para pensamento e reflexão, cabendo[1] a todos os papeis de sujeitos instigadores para uma instituição que almeja pensar sobre si e sobre os seus caminhos. Nisto se constitui ao que se denomina como escola reflexiva.

A escola reflexiva (ALARCÃO 2001) se constitui numa escola aprendente que está disposta a se pensar e a refletir sobre suas práticas, uma escola democrática, sobre a qual, os temas são discutidos, as relações são horizontais e o princípio norteador é o diálogo e a reflexão.

Essa escola deve ser a escola do sim e do não, onde a prevenção deve afastar a necessidade de repressão, onde o espírito de colaboração deve evitar as guerras de poder ou competitividade mal-entendida, onde a crítica franca e construtiva evita o silêncio roedor ou a apatia empobrecedora e entorpecedora (ALARCÃO, 2001, p. 17).

Acima de tudo trata-se de uma escola independente, de uma escola que deseja se autogerir, ser senhora de seu próprio destino e de assumir todas as responsabilidades por suas escolhas. É essa gama fundamental de autonomia que é necessária para a constituição da escola auto pensante e auto-aprendente.

Conforme Gadotti (1992, p. 22):

Autonomia vem do grego e significa autogoverno, governar-se a si próprio. No âmbito da educação, o debate moderno em torno do tema remonta ao processo dialógico de ensinar contido na filosofia grega, que preconizava a capacidade do educando de buscar resposta às suas próprias perguntas, exercitando, portanto, sua formação autônoma. Ao longo dos séculos, a idéia de uma educação anti-autoritária vai, gradativamente, construindo a noção de autonomia dos alunos e da escola, muitas vezes compreendida como autogoverno, autodeterminação, autoformação, autogestão e constituindo uma forte tendência na área.

Essa escola reflexiva (e autônoma) é formada por professores, gestores, funcionários, corpo técnico, pais e alunos, trata-se de uma escola com uma universo de diversidades, tal como qualquer escola, sua diferença se constitui na concepção (nesta uma escola) que todos os seus componentes cumprem um papel fundamental na discussão acerca de seus rumos. Assim, para se formar uma escola reflexiva, antes de tudo, é necessário profissionais reflexivos, diretores, coordenadores, comunidade e professores, todos envolvidos da concepção que esta (a escola) é um sistema em continua alteração (BAPTISTA, 2006).

Como nos diz Alarcão (2003, p. 41):
A noção de professor reflexivo baseia-se na consciência da capacidade de pensamento e reflexão que caracteriza o ser humano como criativo e não como mero reprodutor de idéias e práticas que lhe são exteriores.


E completa (2003, p. 44):

O professor não pode agir isoladamente em sua escola. É neste local, o seu local de trabalho, que ele, com os outros seus colegas, constrói a profissionalidade docente.

Dessa forma, na constituição dessa escola reflexiva, é fundamental, além da dose de autonomia necessária a cada um desses profissionais em seu trabalho, a compreensão de que juntos podem fazer muito mais do que em ações meramente solitárias. Essa escola transpõe os muros que as constituem, é uma escola de pensamento e de pensantes, que compartilham suas experiências negativas potencializam sua resiliência[2]. Assim, uma escola reflexiva é aquela voltada para o seu futuro; investindo no pensamento acerca de seu horizonte de possibilidades. Ela esta sobre a sombra do jacarandá, na praia, na montanha, no barzinho. Enfim, nos momentos de reflexão coletiva, que obviamente não esta restrito a lugares específicos; nos aproximamos de uma falamos de uma perspectiva Freneriana aliada ao espírito psicopedagógico da paidéia grega.

Esta é a nossa concepção de escola reflexiva.

REFERÊNCIAS
ALARCÃO, Isabel (Org.). Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2001.
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2005.
BAPTISTA, Cláudio Roberto. Vestígios... Pistas e relações entre pensamento sistêmico e processos inclusivos. In: II SEMINÁRIO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL, 1., 2006, Vitória. Anais.Vitória: UFES, 2006.
GADOTTI, M. Escola cidadã: uma aula sobre a autonomia da escola. São Paulo: Cortez, 1992.
[1] Ou deveria caber.
[2] Superação de adversidades.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

21 de setembro, dia nacional da pessoa com deficiência


No dia 21 de setembro celebra-se o dia nacional da pessoa com deficiência, instituído pela Lei Nº 11.133, de 14 de julho de 2005.
A escolha da data se deu pela proximidade com a primavera e o dia da árvore, numa representação alegórica de nascimento e crescimento, simbolizando assim a luta por inclusão, cidadania e participação plena na sociedade, com igualdade de oportunidades para a pessoa com deficiência.
A luta em favor da pessoa com deficiência deve ser de toda a sociedade; trata-se de uma luta por dignidade, que não deve ser confundida com caridade ou assistencialismo. É uma luta pela cidadania e pela oportunização de chances comuns a todos.
Mas para esse combate é necessário que quebremos algumas barreiras físicas e psicológicas distribuídas em dois sentidos: arquitetônicas e subjetivas-atitudinais.
Inseridas dentro das barreiras físicas estão as arquitetônicas. Trata-se de barreiras evidenciadas nos espaços físicos não pensados de forma universal e visualizadas por meio de calçadas, prédios, elevadores, banheiros e outros locais que não proporcionam livre acesso a todos.
Quanto às barreiras psicológicas, destacamos as barreiras subjetivas-atitudinais, que são internas ao ser humano. Essas são o preconceito, a discriminação e a aversão à diferença (xenofobia). São elas que geram as atitudes de discriminação por meio das quais uma pessoa é avaliada não por sua capacidade e potencial, mas, pelo contrário, pela pontuação de sua diferença, que é vista como inferioridade e incapacidade. São barreiras que estão na sociedade e que se refletem nos indivíduos em práticas socialmente discriminatórias. Essas práticas são reveladas por falas incutidas de um espírito de inferiorização do outro, como, por exemplo, em expressões como: “coitado dele!”, ou em ações conscientemente realizadas, como a não contratação de pessoas com deficiência (apenas pelo fato de serem deficientes), independentemente de sua capacidade.
Assim, para este combate em favor da pessoa com deficiência, e fundamentalmente do ser humano, é necessário requisitar do poder público que crie espaços que sejam de acesso universal e fiscalize, por meio do cumprimento de leis da iniciativa particular, o comportamento negativo, anteriormente exposto.
É também necessário quebrar as barreiras que existem em nós mesmos. E quanto a essas, só são superadas a partir de uma visão do outro como extensão de nós mesmos, por meio da aceitação incondicional e do convívio harmônico com a diversidade. É a percepção de que somos irmãos de espécie; da espécie humana.
Essa é uma luta árdua, que começa em nós mesmos, e na qual a reflexão e a criticidade são nossas amigas, bem como a vigília constante de nossas ações e das ações do outro, em busca de um mundo mais igualitário, solidário e inclusivo.