sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ESCOLA REFLEXIVA: CONCEPÇÃO E REFLEXÃO


A escola em suas diversas modalidades seja especial, seja regular, seja a partir de programas de educação à distância, seja não formal, seja por meios de programas sociais, constitui-se num espaço de (e para) reflexão, e dentro disso, se institui também, numa estância de diversidade e adversidades. Na realidade da escola a multiplicidade salta diante dos olhos, bem como também, os revezes, intempéries e do inesperado.

Esse espaço múltiplo denominado escola é um ambiente para pensamento e reflexão, cabendo[1] a todos os papeis de sujeitos instigadores para uma instituição que almeja pensar sobre si e sobre os seus caminhos. Nisto se constitui ao que se denomina como escola reflexiva.

A escola reflexiva (ALARCÃO 2001) se constitui numa escola aprendente que está disposta a se pensar e a refletir sobre suas práticas, uma escola democrática, sobre a qual, os temas são discutidos, as relações são horizontais e o princípio norteador é o diálogo e a reflexão.

Essa escola deve ser a escola do sim e do não, onde a prevenção deve afastar a necessidade de repressão, onde o espírito de colaboração deve evitar as guerras de poder ou competitividade mal-entendida, onde a crítica franca e construtiva evita o silêncio roedor ou a apatia empobrecedora e entorpecedora (ALARCÃO, 2001, p. 17).

Acima de tudo trata-se de uma escola independente, de uma escola que deseja se autogerir, ser senhora de seu próprio destino e de assumir todas as responsabilidades por suas escolhas. É essa gama fundamental de autonomia que é necessária para a constituição da escola auto pensante e auto-aprendente.

Conforme Gadotti (1992, p. 22):

Autonomia vem do grego e significa autogoverno, governar-se a si próprio. No âmbito da educação, o debate moderno em torno do tema remonta ao processo dialógico de ensinar contido na filosofia grega, que preconizava a capacidade do educando de buscar resposta às suas próprias perguntas, exercitando, portanto, sua formação autônoma. Ao longo dos séculos, a idéia de uma educação anti-autoritária vai, gradativamente, construindo a noção de autonomia dos alunos e da escola, muitas vezes compreendida como autogoverno, autodeterminação, autoformação, autogestão e constituindo uma forte tendência na área.

Essa escola reflexiva (e autônoma) é formada por professores, gestores, funcionários, corpo técnico, pais e alunos, trata-se de uma escola com uma universo de diversidades, tal como qualquer escola, sua diferença se constitui na concepção (nesta uma escola) que todos os seus componentes cumprem um papel fundamental na discussão acerca de seus rumos. Assim, para se formar uma escola reflexiva, antes de tudo, é necessário profissionais reflexivos, diretores, coordenadores, comunidade e professores, todos envolvidos da concepção que esta (a escola) é um sistema em continua alteração (BAPTISTA, 2006).

Como nos diz Alarcão (2003, p. 41):
A noção de professor reflexivo baseia-se na consciência da capacidade de pensamento e reflexão que caracteriza o ser humano como criativo e não como mero reprodutor de idéias e práticas que lhe são exteriores.


E completa (2003, p. 44):

O professor não pode agir isoladamente em sua escola. É neste local, o seu local de trabalho, que ele, com os outros seus colegas, constrói a profissionalidade docente.

Dessa forma, na constituição dessa escola reflexiva, é fundamental, além da dose de autonomia necessária a cada um desses profissionais em seu trabalho, a compreensão de que juntos podem fazer muito mais do que em ações meramente solitárias. Essa escola transpõe os muros que as constituem, é uma escola de pensamento e de pensantes, que compartilham suas experiências negativas potencializam sua resiliência[2]. Assim, uma escola reflexiva é aquela voltada para o seu futuro; investindo no pensamento acerca de seu horizonte de possibilidades. Ela esta sobre a sombra do jacarandá, na praia, na montanha, no barzinho. Enfim, nos momentos de reflexão coletiva, que obviamente não esta restrito a lugares específicos; nos aproximamos de uma falamos de uma perspectiva Freneriana aliada ao espírito psicopedagógico da paidéia grega.

Esta é a nossa concepção de escola reflexiva.

REFERÊNCIAS
ALARCÃO, Isabel (Org.). Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2001.
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2005.
BAPTISTA, Cláudio Roberto. Vestígios... Pistas e relações entre pensamento sistêmico e processos inclusivos. In: II SEMINÁRIO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO ESPECIAL, 1., 2006, Vitória. Anais.Vitória: UFES, 2006.
GADOTTI, M. Escola cidadã: uma aula sobre a autonomia da escola. São Paulo: Cortez, 1992.
[1] Ou deveria caber.
[2] Superação de adversidades.

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